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9 de Abril de 2020

Em Roma não se vista como os cubanos

Wander Simoes, Estudante de Direito
Publicado por Wander Simoes
há 5 meses

Reputando-me a notícias recentes acerca das restrições no vestuário, supostamente impostas por membra da magistratura e, com a devida vênia dos que pensam em contrário, não vou me furtar de tecer os meus comentários.

Alguns mais enérgicos nos seus, clamam pelas prerrogativas dos advogados, outros falam até em ética. Ok, ok, ok.

Em tempos hodiernos não se discute o que a mulher pode ser. Sim, ela pode ser o que quiser. Todavia há sim, que se observar um desejável comportamento ético/profissional.

Quando ouço ética, imediatamente sou remetido a Espinosa, a Platão, a Aristóteles...

Para uma melhor subsunção do fato sob comento à ela, refiro-me necessariamente à "Ética Cortellana": “Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?

Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.” (Mário Sergio Cortella)

Novamente a mulher pode ser o que quiser (e o homem também). Professora, advogada, pop-star, atriz, ministra, diplomata, motorista, “periguete”, juíza, promotora... Sim, o que quiser. A questão não é se pode, pois já está definido, o que quiser. A questão é deve?

Respondo sem medo, que pode, mas não deve em qualquer local. O exercício da advocacia e o acesso aos órgãos da magistratura (instituições conservadoras), nos impõem ritos e comportamentos consuetudinários ao longo do tempo.

O fato de a mulher poder ser e friso novamente, pode ser o que quiser, não quer jamais dizer que deva sê-lo em qualquer lugar.

Se em visita a uma teocracia islâmica e fundamentalista onde as mulheres cobrem o seu corpo quase que totalmente e o rosto com um véu (burca), não deve a mulher (não é de bom alvitre), porque pode ser o que quiser, desfilar de biquini tropical.

Do mesmo modo, há sim locais em que se deva ter minimamente respeito e submeter-se às regras mínimas comportamentais. Nesse diapasão equivaleria a dizer que também não deve o homem frequentar os mesmos locais de bermuda por mais intenso que seja o calor ou de chinelos de praia, sandália e assemelhados.

A questão quem diz qual é a medida da decência e do bom senso na hora de avaliar a vestimenta de uma mulher que vai ao fórum trabalhar, não tem a menor correlação com a inexistente hierarquia entre advogados, magistrados e promotores. Pasmem Doutores e Doutoras, tem relação direta com a ética. Sim, tem relação com o conjunto de valores que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?

Você evita constrangimentos e a provocação de discussões inúteis quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

Muitas vezes a ética define o óbvio. Às vezes o óbvio quer dizer: “Em Roma, vista-se como os romanos.”

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